Arquivo de entrevistas
Chat com Abílio Diniz
(5/8/2004)









Moderador 15:26:48
Antonione Pereira do Nascimento, de Serra (ES), diz: Qual o conselho que o senhor dá para os jovens que começam a carreira de empreendedores para chegarem ao sucesso?


Moderador 15:27:40
Renata Bernardes, de Cabreúva (SP), diz: Em uma economia inconstante como a que vivemos, quais os cuidados que os empresários do ramo varejista devem tomar?


Moderador 15:28:03
César Ribeiro, de Fortaleza (CE), dizO que o senhor acha do envolvimento de pessoas da mesma família em uma empresa? Há possibilidades concretas de bons entendimentos e resultados?


Moderador 15:30:03
Genevaldo de Oliveira Ferreira, de Danbury (EUA), diz: Qual a sua opinião sobre a desigualdade social que assola o Brasil? É possível contornar essa situação?


Moderador 15:32:31
Alan Nader, de Jacareí, São Paulo (ES), diz: Quais foram as principais atitudes tomadas para a reconstrução do Pão de Açúcar?


Moderador 15:34:04
Luiz Antonio de Oliveira, de Brasília (DF), diz: Muitos empresários acreditam que é melhor contratar pessoas mais novas para gerir as empresas. O que o senhor pensa? Ou acha que a experiência das pessoas mais velhas também contam na hora da escolha do funcionário?


Abílio Diniz 15:34:54
Hoje acordei às 5h30, corri por 40 minutos. Desde que você corra acima de meia hora e tenha um gasto de energia razoável já é importante para a saúde. É importante se alimentar bem pela manhã. Eu como muitas frutas, geralmente laranja lima e mamão, dois pães, peito de peru, queijo prato light, leite desnatado e não bebo muito café. Às vezes vario um pouco, mas geralmente isso ocorre de final de semana, quando tenho mais tempo. Eu dedido meia hora para o café e para ler meu jornal. Geralmente chego na companhia por volta de 8h.


Moderador 15:34:59
Claus André Gonçalves, de São Paulo (SP), diz: Quais são as obras sociais e as ações individuais, dentro e fora do Pão de Açúcar que você tem executado? É verdade que seus empregados têm bolsa integral de estudos?


Moderador 15:35:53
Vinicius Cavalcanti, de Belo Horizonte (MG), diz: Você não ficou temeroso em expor mais sua vida privada e qual impacto causado?


Abílio Diniz 15:38:58
Eu vou para a academia e fico lá até 14h. Faço cerca de uma hora e meia de exercícios. Almocei salada, duas fatias de pão e uma fruta. Eu gosto muito da minha rotina. Conto às pessoas o que faço para que elas tentem fazer algo na mesma direção. Recomendo que as pessoas não comam demais, que façam cinco refeições por dia, quando possível. Eu gosto muito de pão, é o carboidrato que você precisa para rodar. É importante consumir carboidrato.


Abílio Diniz 15:40:18
Hoje eu vou sair da companhia às 19h. E depois tem o jogo do "meu" São Paulo. Vou pegar um bom lugar em casa para assistir ao jogo. Minha rotina são três sessões diárias de exercícios.


Moderador 15:41:35
José Enrico Cornetta, de São Vicente (SP), diz: O pequeno comércio tem como sobreviver diante da política econômica atual?


Abílio Diniz 15:42:44
As pessoas podem me achar meio louco por comer só isso. Mas quando chega na hora do jantar eu descontraio mais: como salada, peixe grelhado e até macarrão ou pizza. O que não pode é comer pizza todos os dias.


Moderador 15:44:28
Ari Hercílio Nunes, de Curitiba (PR), diz: Qual o cenário político e econômico que o senhor prevê para os próximos dois a cinco anos?


Abílio Diniz 15:45:32
Eu fumei na adolescência. Parei e fiquei muitos anos sem. Um dia descobri que gostava de um cigarro após o jantar. Eu tomo cerveja e gosto, principalmente no fim de semana. O que importa é a quantidade, saber equilibrar. Eu respeito o vinho, dizem que é saudável. Mas eu não gosto, apesar de admitir que as pessoas podem tomar.


Moderador 15:46:29
João Hudson Conselho, de Belo Horizonte (MG): Quando escreveu o livro, pensou em atingir um público-alvo específico?


Abílio Diniz 15:47:53
Claus, eu custei um pouco para tomar a decisão de me expor mais ainda. Já sou uma pessoa de grande visibilidade, o sequestro me expôs muito, expôr mais um pouco não faz diferença. Eu acho que contando as dificuldades que tive na vida e a maneira como consegui ultrapassá-las pode fazer as pessoas pensarem sobre isso e serem mais felizes. "Caminhos e Escolhas" é um livro para que as pessoas reflitem e sejam mais felizes.


Moderador 15:47:54
Maurício Takada, de Sorocaba (SP), diz: Existe alguma estratégia em mudar os nomes fantasia de sua rede de supermercados?


Moderador 15:49:13
José Enrico Cornetta, de São Vicente (SP): Se hoje o presidente Lula fosse candidato a reeleição, o senhor votaria nele?


Moderador 15:51:02
Renato diz: Por que os empresários que ameaçavam sair do país se Lula vencesse a eleição não saíram?


Abílio Diniz 15:52:38
Jayson, não tenho nenhum projeto político. Eu já tive convites para ser ministro em outras épocas. Mas acho que a melhor maneira para ajudar as pessoas é com minha empresa, são 70 mil empregados. E aquilo que é mais importante, em uma empresa que é voltada para o social e olha para quem trabalha nela. No nosso negócio, quanto maiores nós somos é melhor para vendermos mais barato. Nossa intenção é continuar crescendo. No campo social tenho um projeto que fazemos em torno do futebol e da meninada da periferia. Tivemos no ano passado muitos inscritos e um grande campeonato com parte desses garotos. Para 72 deles, damos comida, escola, procuramos trabalhar a cabeça deles.


Moderador 15:53:30
Paulo Bandeira-SC diz: Qual o primeiro passo para um empreendimento ter sucesso?


Abílio Diniz 15:53:55
Anderson, eu procuro ser sempre melhor a cada dia. E isso inclui você conseguir fazer mais coisas e da forma melhor. Ajudar meu país - essa é a contribuição que eu posso dar à sociedade.


Abílio Diniz 15:54:37
Claus, muitos de nosos funcionários têm bolsa integral e para outros pagamos parte dos estudos, bolsas de 50%, 80%.


Moderador 15:56:48
MATEUS diz: Como o senhor vê a atual conjuntura do país e as altas taxas de juros cobradas pelo bancos? Empresas e a pesada carga tributária que em vez de desafogar o empresariado brasileiro está quebrando empresas e gerando desemprego,apesar das novas contratações e o aquecimento da industria.


Moderador 15:59:15
Rogério Nogueira diz: Gostaria de saber como o senhor avalia os gargalos econômicos brasileiros como as estradas, portos e energia elétrica em um momento em que se espera que a economia volte a crescer?


Abílio Diniz 15:59:30
Há muito tempo nós procuramos dentro da companhia ajudar as pessoas a terem melhor qualidade de vida, serem menos estressadas. Estudamos metodologias com muita profundidade. É claro que existem causas de estresse que você não controla. O que queremos mostrar é que há situações em que você deve controlar seu estresse, como no trânsito. Você pode aprender a usar esse tempo de forma saudável. Você precisa aprender a saber o que é importante para sua vida. Você consegue se disciplinar e certamente vai se estressar muito menos. Nós colocamos muita pressão nos funcionários do Pão de Açúcar, mas não queremos que as pessoas tenham tensão.


Abílio Diniz 16:01:29
Não acho que terapia seja essencial. Normalmente não está ao alcance de todas as pessoas e não deve ser feita indiscriminadamente. As pessoas devem entender porque se irritam com determinados comportamentos.


Moderador 16:01:58
Leandro Schmöckel Gonçalves diz: De que forma as empresas de pequeno porte devem se preparar para uma sucessão e como devem agir para que aconteça sem problemas?


Abílio Diniz 16:03:46
Eu era muito estressado. Quando era pequeno era baixinho e gordinho. Isso não me agradava nada. Passava grande parte do dia na rua, era um saco de pancadas no colégio. De repente não tinha a quem recorrer e achei que devia vencer aquela situação. Mas como me tornar menos vulnerável a esses ataques? Comecei a fazer esportes, aprendi lutas. Esse foi o caminho que escolhi em conseqüência do que estava passando.


Moderador 16:05:07
ronaldo diz: Qual a sua opinião a respeito da legislação trabalhista, onde o governo insiste em não providenciar as mudanças que o mercado de trabalho ou melhor a relação empregador X empregado exige?


Moderador 16:07:25
Mbertucci diz: Você ainda se preocupa com seqüestros? Como evita pensar no assunto?


Abílio Diniz 16:09:16
Você não vai dormir em uma noite uma pessoa briguenta e acorda uma pessoa de paz. As pessoas crescem muito mais nos períodos de sofrimento do que nos de felicidade. O sequestro em si foi muito agressivo. Eu estava armado no dia e como tudo que eu faço na vida pretendo saber fazer direito - sempre atirei muito bem, fui treinado - e acreditava que ninguém se meteria comigo. Eu cogitava a hipótese de me defender se algo desse tipo acontecesse. Na realidade, foi uma surpresa. Eles foram muito mais profissionais que eu. Depois a primeira reação que tive foi de raiva comigo mesmo, por ter me deixado seqüestrar. Eu não sabia o que ia acontecer. Eu não tinha ar. Eles construíram um grande caixote de madeira embaixo da terra. Eu estava preparado para morrer.


Moderador 16:11:52
Jaime Segal diz: Apenas uma curiosidade... sou professor e tenho 63 anos. Creia, senhor Diniz, comi muito doce na Doceira Pão de Açucar na praça Clóvis, local que era de seus familiares há mais de 40 anos. Sucesso no seu livro! Estou lendo-o. Um abração!


Abílio Diniz 16:13:24
Na cabeça deles eu era um instrumento para que eles tivesse dinheiro. Eles entravam lá para me levar comida. Foram sete dias. E sempre que alguém chegava lá, eles trancavam a porta de fora. Nos primeiros momentos eu não conseguia rezar. Isso foi uma sensação muito ruim. Depois de um tempo eu pedia a Deus que não me deixasse perder a fé. Por meio das orações me sentia cada vez mais fortalecido. Quando fui retirado do caixote fiquei mais 48 horas com eles. Aí já tinha mais gente, rostos, barulho...


Abílio Diniz 16:14:18
Tudo que está no livro será tratado de forma mais aprofundada em minha biografia. Acho que não teve nada de político no meu seqüestro.


Abílio Diniz 16:16:16
Comecei a ser religioso por causa de minha mãe. A coisa mais forte que tenho dentro de mim é a fé. Se tenho alguma dúvida eu penso se estou fazendo bem ou mal e descubro como agir. Eu faço orações todos os dias.


Moderador 16:16:28
marcel_MA diz: O Pão de Açucar fez uma tentativa no passado de abrir um banco de varejo popular e não teve sucesso, quais as pricipais lições aprendidas no passado que fez o senhor buscar uma parceria com o Itaú???


Abílio Diniz 16:17:16
Quando estou correndo de manhã geralmente ainda está escuro. É um momento em que estou concentrado, penso na vida e rezo.


Moderador 16:17:39
brenno diz: Qual sua visão em relação ao incidente com o hipermercado no Paraguai?


Abílio Diniz 16:18:29
Você tem que ter amor por tudo em sua vida. Quando você põe amor no que faz, no que vive, você faz muito melhor. Talvez meu sucesso seja por isso. Tudo que faço é com amor e com dedicação.


Abílio Diniz 16:19:20
Talvez a disciplina seja minha característica mais marcante. Quanto mais eu treino, melhor eu fico.


Moderador 16:22:27
Sidnei Coimbra diz: O senhor acha que o governo Lula está fazendo uma boa administração ou a boa administração é fruto de altas taxas (impostos)? Acredita que ele só manteve a tática de Fernando Henrique Cardoso?


Abílio Diniz 16:23:22
César, existem empresas familiares bem-sucedidas, mas normalmente isso acontece porque pai e filho começaram algum negócio e isso vai dando certo. Às vezes a empresa é dividida e isso causa problemas. Foi isso que aconteceu com o Pão de Açúcar. Na realidade de 1959 até a 1975, estive sozinho no comando da empresa. Quando meus irmãos cresceram meu pai deu partes da empresa para eles administrarem. Acho que foi uma década perdida, minha sensação é de que fiz muito pouco. Quando a empresa voltou a se recuperar, propus comprar a parte dos meus irmãos e me tornei acionista majoritário. Foi muito melhor para a empresa e para a família. Hoje eu diria que somos uma família feliz.


Abílio Diniz 16:24:51
Meus filhos participam da empresa desde a década de 90. Nós decidimos repensar nossa vida há dois anos. Decidimos que não deveríamos ter nenhum Diniz dentro da companhia da família. Meus filhos se afastaram em 2002.


Abílio Diniz 16:26:54
As pessoas estão muito acostumadas com aumento de preço e este governo fez uma redução em gêneros de primeira necessidade. Nós, estimulados pelo governo, achamos que deveríamos passar isso para o público. Vamos explicar o porquê dessa redução de preços. Esse é o dever de todos nós. O governo fez a parte dele e vamos fazer a nossa.